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    December 30

    Entrevista de Evo Morales

     

    A edição especial de Newsweek traz, como já disse, uma entrevista com Evo Morales. O presidente da Bolívia percebeu que, em uma entrevista para a magazine – fonte de informação de metade dos EUA – seria impróprio propalar sua intervenção no setor de gás natural como um ataque socialista ao capital estrangeiro. Ao invés disso, Morales procurou vender seu peixe dizendo que almeja trabalhar em conjunto com as empresas internacionais, que só quer melhorar a vida de seu povo sem prejudicar a lucratividade das petroleiras. Em um determinado momento, Morales alega: nacionalização para nós significa exercer nosso direito de propriedade. Quer direito mais liberal do que o de propriedade? Logo depois, Morales diz que o governo resolverá os problemas econômicos e sociais do país com o suporte de organizações internacionais. O índio não é bobo... O conteúdo impresso segue abaixo.

     Did we kick them out?

     When Bolivian President Evo Morales nationalized the gas industry last May 1, it was seen as the latest move toward greater state intervention in the energy sector by countries stretching from Venezuela to Russia. The critics have dubbed it “energy populism”. But Morales says his move was misinterpreted: that he is pursuing a “new nationalization of the millennium”. He spoke to NEWSWEEK’s Jimmy Langman. Excerpts:

     LANGMAN: How will your new model work?

    MORALES: After gas-reform laws in 2005, our gas-export revenue rose from $250 million to $500 million. With the nationalization decree, that rose to $1.2 billion. At bigger fields, the 18 percent take for the state and 82 percent for the companies is now 82 percent for the state and 18 percent for the companies. And the companies are accepting this. This is nationalization without expulsion or expropriation, in which companies recover their investment and have the right to make a profit.

     And will there be a big state gas company?

    Yes, we are refounding the state gas company, YPFB, to partner with the private companies for all aspects of the gas-production chain. If companies want to invest with us, welcome. We are very advanced in negotiations with Total of France, Repsol of Argentina, PDVSA of Venezuela. [Since this interview, negotiations with more than 10 companies have been successfully concludes, including the partially state-owned Brazilian company Petrobras. ]

    Many saw your move as a serious setback for foreign investment.

    Look, I have been called in the media almost everything. But how many oil companies have we kicked out? None. This is a new model of nationalization of the new millennium to solve our problems with our own natural resources, instead of accepting foreign aid all the time. We want to restore dignity to our country. If the private multinational companies want legal security, they must strike agreements with governments like ours to help guarantee social security for people. But if we don’t solve social problems like health, education, housing, jobs, then people will rise up and question the process.

    If this isn’t old-style nationalizations, maybe it needs another name?

    Nationalization for us means to exercise the right to our property, and we exercise that right in a way that’s legal and constitutional.

    Is nationalization really about changing the neoliberal economic model?

    Exactly. In Bolivia, governments have never solved the economic and social problems of the majority. Especially our indigenous sector, which has been excluded, discriminated, marginalized, offended, exploited, robbed, forgotten. This government, with the support of international organizations, other nations, businessmen, will solve these problems. In conversation Bill Clinton told me he understood that Bolivia does not want do be a colony, and in this he offered his support.

    Critics say more state control creates greater inefficiency.

    If private-sector investors put their resources in Bolivia, they will get out full cooperation. We want a diverse economy with cooperatives, associations, collectives of businesses, private companies. I have meeting with countless private businesses that don’t want to get involved in politics or ideology; they just want do maintain profitable businesses. We do all we can to support them For example, we are doing lots of work to extend the Andean Trade Preference Act ins the United States. Ex-presidents Bill Clinton and Jimmy Carter have told us they will support us in that.

    A lot of people say Venezuela is your most important partner. Is that true?

    I admire them and respect them a lot. I respect Fidel a lot, too, for what he has done in health and education. Chávez is supporting us in health issues, infrastructure, in a totally unconditional way. The help we get from other partners – Argentina, Norway, Denmark, Spain and France – is also impressive. France’s president has said, “Evo, we respect it, and you have all our support for nationalization”.

    Is Bolivia a model for other poor but gar-rich countries, like Ecuador?

    We want to export our products, not our policies. We want trade treaties that benefit people. Up to now, free-trade treaties have generally led to transnationals flooding our markets and eliminating small producers. We want fair trade. Instead of Bolivians and Latinos invading the United States, we want our products to invade the United States. But if we don’t resolve this problem, Latinos will continue to arrive in the United States, and soon we will have our own candidate for president of the United States. Our trade proposal, then, solves our economic problem and the immigration problems of the United States. This is the great opportunity.

    Newsweek: primeiras impressões

    Decidi assinar Newsweek por um ano a fim de melhorar meu inglês. Até agora não me enviaram o boleto solicitado, apenas os exemplares, o que muito me agrada. rs

    A primeira revista é um especial sobre energia, dividido em seis tópicos: Geopolitics, The Economy, Corporations, The Other Fossils, Nuclear e Petrol Society. Não li quase nada desta edição, apenas dois artigos inescapáveis à primeira vista, na verdade, um artigo e uma entrevista. O artigo versa sobre a pujança de nossa Petrobrás (ex-Petrossauro). A entrevista, um petardo: Evo Morales defende seu “nacionalitarismo” com argumentos bastante interessantes. Mas, disto eu falo depois.

    Com relação à edição ordinária, trata-se da que ficará nas bancas de 25 de dezembro a 1º de janeiro.  A capa: Daniel Ortega, presidente eleito da Nicarágua.

    Newsweek é uma revista bastante agradável ao olhar. Logo de cara há o Periscope, uma seção de notas e artigos breves. Entre estes, destaco um referente à crescente importância, em poder e dinheiro, adquirida por São Petersburgo, internamente na Rússia. De acordo com o periódico, o esvaziamento de Moscou e o conseqüente incremento da outra cidade devem-se, não só aos incentivos fiscais e de infra-estrutura oferecidos por São Petersburgo, mas especialmente aos arranjos políticos por trás dessas benesses.

    Na verdade, Putin e seus companheiros estariam preparando o terreno para sua aposentadoria do Kremlin. Explico: a idéia é criar um centro alternativo de poder – coincidentemente a cidade natal do presidente – repleto de grandes empresas do setor energétic,  em que Putin e seus cossacos burocratas venham a ser os chefões caso percam seus assentos em Moscou. A título de exemplo, a gigante Gazprom já é liderada por Dmitry Medvedyev e Aleksei Miller, “dois antigos aliados de Putin com fortes conexões com São Petersburgo”.

    Após o Pericope, há a seção de cartas – Letters – mas nenhuma merece menção. Em seguida vem o World View, pelo visto, uma seção dedicada a um artigo sobre geopolítica. O dessa edição é escrito por Fareed Zakaria e toma a forma de um conselho a George W. Bush: que ele saia logo do Iraque, pois, aos olhos dos outros países do Oriente Médio, a suposta democracia implantada por Ele pode ser uma referência negativa – se isso é democracia, diria um saudita, eu prefiro viver aqui com os meus monarcas. Aliás, é incrível a quantidade de reportagens sobre o Oriente Médio!

    Depois do artigo de opinião mencionado, vem a seção World Affairs, sobre assuntos mundiais. Um bem interessante é sobre a falta de profissionais qualificados para ocupar os vários empregos disponíveis na Alemanha, surpreendente para mim. Um dado: 80% dos desempregados germânicos têm falta de habilidades requeridas no mercado. Pensando melhor, o dado nem choca tanto. A revista não fala, mas me parece que os desempregados, quase todos, são do lado leste – antiga zona de influência soviética.

    A seção U.S. Affairs traz o artigo mais interessante da revista, relativo à possibilidade de um integrante de minoria alcançar a Presidência da República. Os dois nomes mais cotados são Hillary Clinton – uma mulher, como se sabe – e Barack Obama – um senador negro de Illinois, ilustre desconhecido para os brasileiros.

    Há muitas outras coisas na revista, mas não vou me estender mais, porque o texto já está muito longo. Vê-se que sou um péssimo blogueiro!

    Um retorno ao heavy metal

    O Iron Maiden foi uma das bandas mais marcantes da minha adolescência. Apesar de eu não ter vivido durante a idade de ouro do heavy metal inglês, nos anos 80, acabei me interessando por esse tipo de som, em época bem mais recente, devido às conversas com um dos porteiros do meu prédio, o Carlos. O Carlos – ou Casé, pros mais íntimos – merece um tópico próprio, porque é uma das pessoas mais especiais que conheço. Interessa, no momento, falar sobre minha iniciação teórica ao mundo do rock, que se deu, como já disse, por meio do Carlos. Este, de fato, viveu sua juventude durante os anos 80 e assistiu,  não só ao apogeu do Iron, mas também ao de bandas como Queen, AC/DC, Scorpions e outras. Além destes grupos, por ele conheci outros um pouco mais antigos, como os famosos The Who, Deep Purple, Pink Floyd, Led Zeppelin e Black Sabbath.

    Nos últimos tempos passei a ouvir outro tipo de som, freqüentemente Jazz, MPB e R&B, mas não desprezo um bom hard rock ou um heavy metal veterano. Por isso, na semana passada quase tive um ataque do coração ao ver clássicos do Maiden a preço de banana nas Lojas Americanas. Não sucumbi à tentação de comprar vários CDs, até porque o bolso já não permitia. Mas, para evitar arrependimento maior futuramente, juntei as pratinhas e adquiri, orgulhoso, um “The Number of the Beast”, o primeiro com Bruce Dickinson nos vocais.

    Confesso que já não sou o fã de outrora: pra quem se habituou à guitarra limpa do sensível Stanley Jordan, os riffs de Murray e Smith, do Iron, soam quase como insultos. Mas, admito, a qualidade vocal de Dickinson e o ritmo galopante do baixo de Harris ainda impressionam. Harris, além de exímio instrumentista, possui ainda outra qualidade prodigiosa: é um grande letrista. Longe de se ater apenas à batida temática satanista – mais marketing do que coisa séria – Harris envereda por vários caminhos, muitas vezes inspirado pelos escritos de Edgar Allan Poe (autor de famosos contos de mistério como “A Carta Roubada” – tenho uma coletânea de histórias dele, editora L&PM POCKET, 2005).

    Do “The Number of the Beast” destaco o hit Hallowed be Thy Name, cuja letra segue abaixo.

    I’m waiting in my cold cell, when the bell begins to chime
    Reflecting on my past life and it doesn’t have much time
    ’Cause at 5 o’clock they take me to the Gallows pole
    The sands of time for me are running low

    When the priest comes to read me the last rites
    I take a look through the bars at the last sights
    Of a world that has gone very wrong for me

    Can it be there’s some sort of error
    Hard to stop the surmounting terror
    Is it really the end not some crazy dream

    Somebody please tell me that I’m dreaming
    It’s not so easy to stop from screaming
    But words escape me when I try to speak
    Tears they flow but why am I crying
    After all I am not afraid of dying
    Don’t believe that there is never an end

    As the guards march me out to the courtyard
    Someone calls from a cell “God be with you”
    If there’s a God then why has he let me go?

    As I walk all my life drifts before me
    And though the end is near I’m not sorry
    Catch my soul, it’s willing to fly away

    Mark my words please believe my soul lives on
    Don’t worry now that I have gone
    I’ve gone beyond to see the truth

    When you know that your time is close at hand
    Maybe then you’ll begin to understand
    Life down here is just a strange illusion.